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Quinta, 10 Abril 2014 10:38
Na última terça-feira (08.04), o secretário da Reforma do Judiciário
do Ministério da Justiça (MJ), Flávio Crocce Caetano, participou de
audiência pública sobre mediação e arbitragem na Comissão de Trabalho,
de Administração e de Serviço Público (CTASP), onde defendeu a atuação
das serventias extrajudiciais na prática dos atos de mediação e
conciliação.
No encontro ficou decidido que o Projeto de Lei da
Arbitragem, 7108/2014 será analisado por uma Comissão Especial, com
participação de deputados da Comissão de Trabalho. Já o Projeto de Lei
da Mediação, 7169/2014, se for aprovado, segue para a Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
A mediação e arbitragem
na atividade extrajudicial tem sido alvo de polêmica nos últimos anos.
Em 2013, a Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo (CGJ-SP)
editou o Provimento nº 17/2013, que autorizava a prática de mediação e
arbitragem pelos cartórios extrajudiciais de São Paulo. A medida foi
replicada em outros Estados, como Ceará, Bahia e Mato Grosso.
Entretanto, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) concedeu uma liminar
suspendendo a autorização.
Em entrevista concedida à
Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais
(Arpen-Brasil), Flávio Crocce Caetano falou sobre a expectative para a
aprovação deste projeto e demais temas relacionados ao Registro Civil.
Arpen-Brasil - Como está o andamento do projeto de lei que autoriza os cartórios a praticarem atos de mediação e conciliação?
Flávio Crocce Caetano - O
Projeto de Lei da mediação caminha muito bem. Foi fruto de uma parceria
entre o Ministério da Justiça e o Senado Federal. Eram dois projetos
que se uniram, e foram enviados ao Congresso Nacional. Foi aprovado no
Senado Federal e hoje está na Câmara dos Deputados, na Comissão de
Trabalho, tendo o deputado Alex Canziani como relator. A ideia é trazer
para o Brasil a cultural da mediação, porque nós não temos uma lei neste
sentido. E o Projeto traz uma abordagem ampla, pois esclarece o que é
medição, quem pode mediar, como é mediação fora da Justiça e como é
mediação dentro da Justiça, além de estabelecer como a mediação é feita
no Poder Público. E há previsão expressa para que os cartórios possam
também fazer mediação. Isso é muito importante, porque quando se traz
para o País uma nova cultura, que é a cultura do acordo, do bom senso e
do não litígio, é necessário trabalhar junto com todos os registradores
para que possamos levar isso para o País inteiro e nenhum serviço tem a
capilaridade do Registro Civil. Por isso, é muito importante que
possamos levar a mediação adiante, com uma parceria entre a nossa Escola
de mediação com a Anoreg-BR e a Arpen-BR para a realização de um curso
específico de capacitação para todos.
Arpen-Brasil - Já
houve tentativa da inplantação da mediação em alguns Estados por meio
de provimentos e o CNJ acabou suspendendo.
Flávio Crocce Caetano - Essa
suspensão do CNJ foi provisória. Houve um conflito com a OAB exatamente
por isso, porque falta no País uma legislação. Hoje a mediação está
apenas em resolução e isso não tem força legal. Então é fundamental que
exista uma lei para que esse tipo de discussão não exista mais. A ideia
da lei é dar maior amplitude, com uma rede de mediadores capacitados no
País. É claro que todo mundo tem que ter capacitação técnica para isso,
mas a ideia é que a mediação se capilarize, e não tenho dúvida de que o
Registro Civil é fundamental para conseguirmos levar a lei para todo o
País.
Arpen-Brasil - Em qual estágio está o novo projeto do papel de segurança?
Flávio Crocce Caetano - O
papel de segurança sempre foi defendido pelo Governo Federal, e sempre
em parceria com o Registro Civil, e é considerado fundamental para a
cidadania. O papel de segurança é fundamental neste momento anterior ao
Sistema de Informações do Registro Civil (SIRC). Quando o SIRC for
instalado o papel de segurança deixa de ter razão de ser. Ou seja, para
nós, ainda é necessário que se faça um papel de segurança, pois é algo
essencial e a nossa ideia é a de continuidade, desta vez na esfera
privada.
Arpen-Brasil - Qual a importância do SIRC para o Governo Federal?
Flávio Crocce Caetano - É
fundamental, porque nós vivemos em uma época virtual e eletrônica. Cada
vez mais, nós temos que prestar serviços públicos de qualidade, e o
registro é um direito fundamental. Por isso, nós temos que possibilitar
que o SIRC seja efetivado de imediato, onde quer que o cidadão esteja. É
um projeto prioritário do Governo Federal e contamos com o apoio do
Registro Civil para isso.
Arpen-Brasil - Como o senhor avalia a atividade extrajudicial no Brasil?
Flávio Crocce Caetano - O
Brasil é um País quase único, com dimensões continentais. Nós temos
essa rede de cartórios bem estruturada, mas nós ainda a utilizamos
pouco. As iniciativas que nós tivemos, de levarmos para os cartórios
algo que era do Poder Judiciário e que não precisava estar lá, como nos
casos de divórcio, separação que não haja inventário e que não haja
litígio, foram fundamentais, porque mostraram que é possível sim
utilizarmos os cartórios. Isto foi a quebra de um paradigma. Antes tudo
tinha que ir para a Justiça, mas foi provado que não, que é possível sim
que alguns conflitos, algumas situações, pudessem ser desjudiciadas.
Esse foi o primeiro passo. Agora, o segundo passo nos parece ser o da
mediação, que veio de forma definitiva para cada vez mais consagrar os
cartórios como órgãos que também fazem parte do acesso à Justiça no
nosso País.
Fonte: Assessoria de Imprensa Arpen-BR